Por que eu escrevo? 

Comecei a participar de um desafio de 21 dias de escrita, desses que estimulam um hábito novo, e a primeira tarefa traz essa reflexão: “Por que eu escrevo?” Eu consigo pensar em várias motivações, que vou citar na sequência, mas o que não encontro é a resposta pra pergunta que eu tô me fazendo agora: por que, de repente, escrever virou um desafio pra mim?




Sem arrogância aqui, é que quando eu penso no meu hábito da escrita a memória me leva lá pra trás. Quando criança, eu gostava de ter cadernos cheios, de fazer longos “trabalhos” (os deveres de casa que valiam alguma nota) à mão, e de estudar reescrevendo tudo que estava nos livros. A escrita sempre foi minha forma de compreensão. Escrever é, portanto, a primeira maneira que aprendi de me fazer compreendida.


Principalmente por mim mesma. Na adolescência eu já colecionava pilhas de diários onde eu colocava todos os meus pensamentos sobre as experiências da época. Era como se eu estivesse observando de fora todas aquelas histórias e pudesse dar o destino que quisesse pra personagem principal — eu.


Escrever é, desde então, minha forma preferida de criar. De dar lugar pra minha imaginação, que é fluida como a de uma criança. De me permitir. De me sentir segura, pois quando o faço sei que tô fazendo o que sei de melhor: sou capaz de colocar palavras e frases fiéis aos meus sentimentos.


E o fato de eu ter começado este texto falando do meu passado é o meu próximo motivo para escrever. Eu gosto de registrar memórias. Sei, e você já deve ter escutado também, que essas são versões da realidade que contamos a nós mesmos; ora, melhor ainda.


Além de tudo isso, escrevo porque eu gosto de compartilhar. Vivências, conhecimento, aleatoriedades, seja o que for. Se meu lugar de paz é este, então, quando compartilhado, essa boa sensação se multiplica (cuidado, porém, não o vá deixar bagunçado ), não é assim que funciona?


Tá, mas então por que o desafio, se é assim tão minha a escrita, né? Depois de refletir sobre tudo isso, me encontro pensando sobre como a escrita aproxima. Era assim no passado, sem qualquer tecnologia, tanto quanto hoje.

Depois de quase dois anos de muitas restrições e, da minha parte, muito isolamento, a escrita voltou a aproximar mais do que nunca. Só através de mensagens trocadas foram várias superações ao longo desse tempo. Também me reencontrei escrevendo sobre a minha protagonista, algo que tinha deixado de lado, ou transformado só em trabalho, ultimamente. E, assim, me aproximei de mim de novo, com admiração.


Escrevo, concluo, pra me conectar com a minha melhor versão. E isso é um constante desafio.

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